Empreender é o verbo da crise

Empreender é o verbo da crise

Empreender é o verbo da crise

Em tempos de crise – e aumento do desemprego formal – empreender tende a ser a saída escolhida por muitos. “A crise chegou, está aí e não vai passar rápido”. Assim começa a fala de Marcelo Sinelli, consultor do SEBRAE-SP. A previsão de retomada de crescimento e investimento para 2018 faz o cenário econômico do Brasil

Nos últimos 12 meses foram quase um milhão de vagas fechadas. Novo emprego com carteira? Está difícil. Em agosto de 2015, 19,8% da população ocupada, se enquadrou na categoria trabalho por conta própria, o maior número desde 2006, quando havia 4,5 milhões de trabalhadores nesta categoria. Os dados são da pesquisa mensal de empregos do IBGE, divulgada dia 24 de setembro.

O “espírito empreendedor”, como se vê na pesquisa mensal de emprego, segue vivo. Se falta carteira assinada, o brasileiro não hesita em tentar seu próprio negócio. Porém segundo a pesquisa Causa Mortis, de 2014, 27% das empresas fecham antes do primeiro ano e 58% antes do quinto ano de vida. Estes números seguem com poucas variações desde que o SEBRAE começou a realizar a pesquisa.

O mercado brasileiro é muito competitivo, tem muita disrupção, muita inovação. Marcelo recomenda cuidado com segmentos que exigem muito crédito ou têm produtos de alto valor. Imóveis, carros, eletroeletrônicos são itens que as pessoas vão pensar muitas vezes antes de comprar. “Os segmentos menos afetados são os de consumo diário, habitual, que apesar da alta dos preços, se mantêm funcionando porque são itens de primeira necessidade”, explica. Alimentação, vestuário e beleza estão nesta categoria.

Segundo Marcelo, o melhor jeito de encontrar uma oportunidade é resolver uma dificuldade que você tem. “O Uber, por exemplo, nasceu quando os seus fundadores demoraram muito tempo para conseguir um táxi de madrugada. Foi aí que eles inventaram o serviço. O Buscapé também nasceu assim: o seu fundador, Romero Rodrigues, estava procurando uma impressora e não conseguiu comparar preços”, conta.

Depois que você encontrar o seu segmento, conseguir modelar seu produto ou serviço, o melhor é começar enxuto e pequeno – sempre sonhando grande. “Crescer é a coisa mais fácil do mundo”, diz Marcelo. A grande questão é que se o crescimento não é planejado, sustentado, do mesmo jeito que cresce, cai, porque não dá conta de entregar o prometido.

Outro cuidado é com a zona de conforto. Segundo o consultor, a tendência é desperdiçar recursos quando o dinheiro entra fácil. “Agora é hora para empresas espartanas, com poucos custos fixos, muito controle dos gastos”. Isso reduz muitos os riscos de qualquer empreendimento, de todos os tamanhos. O risco, esse companheiro da jornada empreendedora, sempre existirá – e é o que tempera a vida neste ramo – mas o empreendedor precisa evitar os erros mais comuns.

Procure informação, ela existe

Uma das maiores questões é a preparação para empreender. E o futuro empresário tem muitas ferramentas à sua disposição. No SEBRAE – presente em todos os Estados do Brasil – há ofertas de cursos à distância, presenciais, palestras, consultorias (gratuitas e pagas, por valores muito melhores que os do mercado), 0800. O Google está aí para ajudar a fazer pesquisa de mercado – e colocar seu negócio no mapa.

Além do SEBRAE, existem muitos grupos de apoio aos empreendedores. Em São Paulo, por exemplo, existe a Rede Mulher Empreendedora, criada por Ana Fontes para apoiar as mulheres que começam seus próprios negócios. A motivação da empresária foi ajudar as mulheres – que são 52% dos empreendedores de micro e pequenas empresas – com uma rede de apoio, colaboração e conteúdos específicos.

A Rede oferece o site, portal, página, encontros para networking, mentoria coletiva e grupo no Facebook. “As mulheres vão empreender por serem hostilizadas no ambiente corporativo. Elas são expulsas, em geral quando se tornam mães, e escolhem empreender”, conta. Na Rede Mulher Empreendedora, encontram qualificação, descobrem que várias empresárias têm problemas semelhantes, trocam fornecedores, falam de seus problemas específicos e descobrem os caminhos para resolvê-los.

“A grande questão do empreender é buscar receita pronta. Ela não existe. A empreendedora tem que se qualificar, descobrir o que funciona para o seu negócio”, explica Ana Fontes. “A autoajuda superficial é o que mais existe no mercado – e, além de não resolver problemas, não ajuda as pessoas a aprender”, diz Ana.

A tarefa de empreender definitivamente não é assunto simples ou rápido. E, segundo o estudo de Causa Mortis, quanto maior o tempo dedicado ao seu planejamento, menor o risco. E afinal o que é a tal atitude empreendedora? “Esta é a pergunta de um milhão de dólares”, responde Marcelo Sinelli. “Eu costumo dizer que é a arte do impossível, tirar de onde não tem e colocar onde não cabe. O empreendedor é como o MacGiver, do seriado de TV, que fazia um foguete com um zíper e um tubo. O empreendedor tem sonho, paixão, brilho no olho. Num país como o Brasil, em que o custo é alto, a infraestrutura precária e o nível educacional baixo, é preciso muita vontade”, completa.

Photo via Visualhunt.com

Posts relacionados


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *