Velhos browsers estão segurando o avanço da web

Com as novidades tecnológicas trazidas pelo HTML5 e CSS3, muitos dizem que o futuro da plataforma web é agora. Claro, soa como um clichê. No mínimo, o futuro parece começar a borbulhar na superfície, mas ainda não é bem assim. Quando se usa os novos recursos DOM (Document Object Model) e as últimas novidades do CSS3, as possibilidades que surgem são surpreendentes. Essas novas tecnologias ajudam a construir facilmente aplicações web com o mínimo de dependência de hacks, plugins, imagens e scripts inchando o código. Isso tudo não torna a vida mais fácil apenas para desenvolvedores (seja na construção ou manutenção dessas aplicações), mas também o usuários final, que recebe no geral uma experiência de navegação mais forte e rápida. Mas há uma enorme pedra nessa estrada, que impede que esse “futuro” de se tornar realidade agora. E que pedra seria essa? São os navegadores antigos. Segundo as estimativas da StatCounter, mesmo com a recente explosão da internet móvel, cujo uso vem crescendo diariamente, a verdade é que 90% das atividades na internet em todo o mundo ainda são executadas e acessadas em browsers no desktop. E quais são esses navegadores de desktop? Veja nos gráficos abaixo (estatística global e no Brasil), com atenção para o Internet Explorer: Como podemos ver nos gráficos, para a alegria dos desenvolvedores, o uso de versões anteriores ao I.E. 8 é bem baixo. O I.E. 6/7 é tão baixo que nem aparece nos gráficos. Um bom cenário, pois podemos ignorar o I.E. 6/7 e todas as suas limitações e começar a usar uma série de recursos que esses browsers não suportam. Mas e o I.E. 8/9? Nos gráficos acima, somados o uso do I.E.8/9, totalizamos apenas 30% de uso no mundo e no Brasil. Mas esses números variam em outros resultados estatísticos, como por exemplo os da Net Applications, cujas estatísticas mostram que 38% dos usuários ainda usam o I.E. 6/7/8, sendo mais de dois terços no I.E. 8. Além disso, a fatia do I.E. 9 é de 16%. Somando, temos mais de 50% de usuários de I.E. 6/7/8/9. O I.E. 9 vem ganhando terreno e usuários, mas o debate sobre a adoção dessa versão do browser é grande. Mas por quê? O I.E. 9 é um enorme passo da Microsoft quando comparado às outras versões mais antigas. Mas os problemas são os mesmos dos seus irmãos mais velhos: o browser já tem mais de um ano de idade e não tem a quantidade de atualizações como em outros navegadores populares, com o Chrome e Firefox. Com isso, apesar de ser um navegador rico em recursos e estável, perde de longe quando o assunto é atualização e novos recursos. Vai ficar obsoleto muito em breve … Some a esse cenário de crescimento do I.E. 9, com grande tendência a morrer na praia, a grande quantidade de usuários que ainda utilizam o I.E. 8, com sua enorme quantidade de bugs e problemas de desempenho e conseguirmos ver porque o “futuro” da web e o seu progresso ainda são uma distante realidade. Certo, agora a resposta para sua pergunta: o que isso tem a ver com e-commerce? TUDO!! As rédeas dos browsers antigos seguram os desenvolvedores, atrapalham a evolução das ferramentas e impõe um ambiente antiquado (e caro) de desenvolvimento. Ao mesmo tempo privam os clientes de uma experiência mais prazerosa e diferenciada ao navegar por uma loja virtual. O risco de se criar uma loja virtual usando recursos de HTML5 e CSS3 ainda é alto, pois uma grande parcela de clientes simplesmente não conseguiria navegar pela loja, acessar e visualizar algum recurso inovador corretamente. Essa guerra de padrões e versões poda a criatividade, engessa os sistemas, impõe uma certa “caretice” às lojas virtuais, atrapalha a todos e deixa, tanto os desenvolvedores quanto os usuários, bem distantes de experimentar agora o “futuro” da web. Sobre o autor: Marcelo F. Silva é graduado em Direito e Publicidade e Propaganda, diretor de arte e criação e coordenador de integração na JET E-Commerce, especialista em interfaces e usabilidade.

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